Panfleto Virtual
Fechar

Carnaval

No Carnaval 2014, o Bloco Cortejo Afro contará com a participação de 3.000 foliões; a bateria será composta por 200 percussionistas - a maior banda do carnaval da Bahia - dos quais 60 vêm da Europa, exclusivamente para tocar com o Cortejo Afro; ala composta por 100 senhoras da 3ª idade; e ala de 50 baianas tradicionais.

Os desfiles do carnaval Cortejo Afro 2014 estão programados para os dias 28/02 (sexta-feira), no Circuito Osmar (Campo Grande – Praça da Sé); 02/03 (domingo), no Circuito Dodô (Barra – Ondina) e 04/03 (terça-feira) no Circuito Osmar (Campo Grande – Praça da Sé).

Serviço

O quê: Bloco Cortejo Afro Carnaval 2014

Tema: “Os Olhos de Xangô” 

Quando: Sexta-feira (28/02/2014) – Circuito Avenida - Concentração 20 horas;

               Domingo (02/03/2014) – Circuito Barra / Ondina - Concentração 21 horas;

               Terça-feira (04/03/2014) – Circuito Avenida - Concentração 18 horas.

Valor: R$100,00

Vendas: Central do Carnaval, Balão Samba Vivo (Shopping Piedade) e Sede do Cortejo Afro (Pelourinho)

Entrega de Fantasias: Sede do Cortejo Afro  -  Ladeira da Ordem Terceira de São Francisco, 06 C, Centro, Pelourinho. Salvador – Bahia

Telefone: (71)3482-5352       

 

O Bloco

O Bloco Cortejo Afro foi criado em 02 de julho de 1998, na comunidade de Pirajá. Sua origem, dentro dos limites de um terreiro de candomblé, o Ilê Axé Oiá, sob a inspiração e orientação espiritual da Yalorixa Anizia da Rocha Pitta, Mãe Santinha, atesta toda a sua identidade, autenticidade e força.

No carnaval 2014 o Cortejo Afro apresenta o tema “Os Olhos de Xangô”. O Bloco desfila sexta-feira (28/02), no Circuito Campo Grande – Praça da Sé e domingo e terça-feira (02 e 04/03) no Circuito Barra – Ondina, com concentração agendada para as 21 horas.

O Bloco transmite alto astral através de suas músicas e coreografias ricas em movimentos ligados à influência negro-mestiça e das roupas exuberantes, que lhe rederam a premiação, nos últimos 2 anos, de Melhor Fantasia de Bloco Afro pelo Troféu Dodô e Osmar e em 2013 foi premiado com o Troféu Castro Alves, na categoria Melhor Bloco Afro.  

Foi idealizado pelo artista plástico Alberto Pitta, que há mais de 30 anos desenvolve trabalhos ligados à estética e cultura africana. A intenção de Pitta é resgatar as cores, sons e ritmos do carnaval, que em sua opinião “o tempo se encarregou de apagar, tornando a maior festa popular do mundo, numa pasta só”. Daí a introdução predominantemente do branco sobre branco, o azul e prata que são cores de Oxalá. Já os grandes sombreiros, segundo Pitta, “visam passar o visual dos reinados das tribos africanas, especialmente de Benin, Costa do Marfim, dentre outros países africanos”.

 

Cortejo Afro - Carnaval 2014

Cortejo Afro: Um Ojú Obá de Xangô

“Ele (Xangô) é como uma pessoa que não gosta de erros, coisas mal feitas. Pune as pessoas por fazer coisas erradas. Ele zela pela justiça social. O Oxé de Xangô representa um símbolo da defesa que ele faz para os injustiçados, os mais necessitados.”    

                      Mãe Santinha de Oiá – Anízia da Rocha Pitta e Silva, 89 anos.                                         Ialorixá do Terreiro Ilê Axé Oiá (Conjunto Pirajá 1)


Numa configuração moderna e comprometida com os mitos fundadores, o Cortejo Afro tematiza, neste carnaval de 2014, a divindade africana o orixá Xangô; de modo especial àquele sabidamente referência na preservação e difusão do culto, ao poderoso que lança labaredas de fogo pela boca. Originalmente criado pelos povos iorubás após conflitos que aniquilaram o Rei Xangô, seus seguidores criaram uma sociedade formada por doze eleitos denominados, segundo a hierarquia social e de poder de então, Ojú Obá ou aquele grupo que liderava a guarda e pregava os feitos do Orixá. Este grupo, aqui no Brasil, é conhecido também com o nome de Ministros de Xangô e tem seu culto do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá desde a época da ialorixá Mãe Aninha, que o implantou, segundo historiadores e antropólogos, no candomblé da Bahia. Neste grupo seis se posicionam à direita do Rei e seis à sua esquerda. A distinção das posições “direita” e “esquerda” tem suas explicações simbólicas numa análise focada nos estudos de religiões comparadas. Os olhos de Xangô é outra expressão tomada entre nós para o Ojú Obá, na qual se traduz Ojú (olho) e Obá (algo equivalente a ministro, senhor).
 
A intenção do Afro de Pirajá é desfilar para estimular e atualizar o mito africano. Os olhos de Xangô é metáfora para agregar, é posição estratégica. Xangô abre mão de sua qualidade de rei absoluto e a distribui ao criar seus Ojú Obá. Só para entrar no clima: se reinventando como um décimo terceiro olho de Xangô simboliza o olhar coletivo contra as injustiças sociais; se integrar a outros ante a possibilidade de todos viverem e conviverem com as diferenças culturais e das escolhas pessoais.

2 O Ilê Aiyê, sua origem, nos remete à tradições de celebrações da cultura brasileira. Momentos de redefinição do seu conjunto identitário fundamentado nos ideais e símbolos referentes a quem somos, ao que aspiramos etc. Este tipo de pensamento nos lembra as ideias do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss; valoriza as narrativas mitológicas para explicar o presente; assim o construiu estudando etnias de origens africanas, índios brasileiros entre outros grupos.

O Ilê ou “o mais belo dos belos” sediado na “Senzala do Barro Preto”, entre outros epítetos identitários é a moderna matriz da qual se tem criado e recriado muitos grupos afros. Os clubes africanos originados no século XIX foram descritos pela imprensa de então como “verdadeiro candomblé ambulante”. Quem sabe neles estão a genética dos blocos afros. Assim, ao se festejar quarenta anos de fundação do bloco no qual reina a Deusa do Ébano, o Cortejo Afro desfila “elegantemente sofisticado” mostrando sua amizade pelo Ilê, com a força do Oxé de Xangô (machado alado, símbolo do orixá). Dessa forma, cores e sons do Ilê serão, neste desfile, incorporados ao conjunto estético do bloco de Pirajá.

Kaô Kabiesile!!! Salve nação Ilê!!!

 

Ericivaldo Veiga

Assessoria cultural do Cortejo Afro

 

 

 

Os Olhos de Xangô

Em 2014, o Cortejo Afro desfilará com o tema Os Olhos de Xangô, orixá da Justiça, do Fogo, patrono dos juízes e dos advogados.

Na visão simbólica dos Olhos de Xangô, muito se vê, muito se imagina. Uma infinidade de imagens, de signos que apresentam o universo de Xangô, um dos deuses mais importantes do panteão africano. O senhor de um grande e poderoso reino: o reino de Oyó.

Os Olhos de Xangô significa eleger a lealdade como um princípio difundido pelos doze ministros que estão sentados à direita e à esquerda de Xangô. Significa saudar Xangô Ayirá, o protegido de Oxalá; redimensionar os mitos e ritos africanos, nas cores branco, prata, vermelho e terra.

Significa redirecionar a rota dos Navios Negreiros, símbolo de deslocamentos sociais e estéticos. Redefinir caminhos, roteiros, vias, sons, tons, melodias e harmonias. “Meu barco vai, mar afora, meu barco vai.”

Através dos búzios que simbolizam os olhos, no machado de Xangô, o Cortejo Afro espera que, no Carnaval 2014, todo(a)s  que nos acompanham estejam em Paz consigo mesmos, vistam as cores do Cortejo em homenagem a Xangô, tragam energia positiva, vibração, cantem de peito aberto, celebrem a diversidade, a alegria de viver, sintam-se felizes e compartilhem essa felicidade com os outros. Acreditem nas sete insígnias  dos Olhos de Xangô: Viver com Justiça, Igualdade, Paz, Amor e Equilíbrio é ter Confiança e numa sociedade mais fraterna e solidária. Kawô Kabiesilê!

Justiça, Igualdade, Paz, Amor, Equilíbrio, Confiança e Fé. Sete palavras, sete conceitos, sete insígnias para saudar Xangô: Kawô Kabiesilê.

Alberto Pita e Nelson Mendes