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Carnaval

Bloco Cortejo Afro - Carnaval 2016

Oxum - A Dona do Colar de Ouro

O Cortejo Afro está se preparado para o Carnaval 2016 com o tema “Oxum, a Dona do Colar de Ouro”. Com esse tema, o Cortejo Afro pretende reafirmar seu compromisso com a questão da estética, da elegância, o que o faz um bloco singular, enchendo de cores e alegrias as ruas da cidade do Salvador. O Cortejo Afro está completando 18 anos desfilando no Carnaval da Bahia, o conceito e a satisfação que o transformou em um dos blocos afro mais esperado da festa momesca.

Dividido em alas, o bloco é composto por três mil integrantes, uma ala de baianas, uma ala de senhoras da terceira idade, uma ala de dança e personalidades da vida cultural e intelectual da cidade. O Cortejo conta com a participação de 2.500 associados que adquirem a fantasia bem como diversas organizações da sociedade civil que recebem a fantasia gratuitamente.

A bateria do Cortejo Afro é um caso a parte. Composta por 200 percussionistas, sendo 60 vindos de diversos lugares da Europa, África, EUA, Ásia e Caribe. Há 15 anos eles chegam a Salvador um mês antes para ensaiar e desfilarem exclusivamente no Cortejo. A bateria tem uma participação especial e chama atenção de toda a cidade pela mistura de ritmos e criações exclusivas de várias convenções e células musicais. O figurino da banda do Cortejo Afro define a proposta temática do bloco compondo um mosaico e a explosão de cores que proporcionam alegria e leveza no Carnaval de Salvador.

Salve o Cortejo Afro.

Salve Mamãe Oxum.

Serviço:

O quê: Bloco Cortejo Afro 2016

Programação:

 05.02.2016 (sexta-feira) - Circuito Avenida - Concentração: 20 horas, no Corredor da Vitória

 07.02.2016 (domingo) - Circuito Barra-Ondina - Concentração: 21 horas, no Farol da Barra

 08.02.2016 (segunda-feira) - Circuito Barra-Ondina - Concentração 21 horas, no Farol da Barra

 Valor da Fantasia:

R$200,00

Onde Comprar:

- Central do Carnaval

- Ticketmix (Shopping da Bahia e Shopping Barra) 

- Samba Vivo (Shopping Piedade e Shopping Liberdade)

- Site www.centralblack.com.br 

- Sede do Cortejo Afro – Endereço: Ladeira da Ordem Terceira de São Francisco, 06C, Pelourinho. Referência: Ladeira do Cine Pax. 

Realização: Entidade Cultural Cortejo Afro, Mundo Afro

Patrocínio: Petrobras e Caixa.

Apoio: Carnaval Ouro Negro, Fundação Pedro Calmon, Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, BERLAN e Anistia Internacional

Informações: www.cortejoafro.com.br / (71)3482-5352

 

CORTEJO AFRO: OXUM, A DONA DO COLAR DE OURO

“O colar da Oxum é da cor de ouro

O colar da Oxum é de ouro só

O colar da Oxum é da cor de ouro

O colar da Oxum é de ouro só

Ora iê iê ô é da cor de ouro

Ora iê iê ô é de ouro só

Ora iê iê ô é da cor de ouro

Ora iê iê ô é de ouro só!!! (*)”

O movimento do planeta, particularmente a geografia e o clima, sempre influencia a cosmologia ou a visão de mundo em muitas culturas; nelas o cuidado com o meio ambiente expressa uma espécie de ato sagrado. É o que se observa  em culturas africanas  que contribuíram para a formação da sociedade brasileira. O sistema religioso afro-brasileiro é o exemplo máximo: a beleza dos espaços sagrados como rios, cachoeiras e matas,  saliências e reentrâncias como pedreiras e orifícios são lugares/habitares  de  deuses africanos, especialmente os cultuados  desde o fluxo das relações estabelecidas com a colonização no século XVI . Demarca o culto a orixá, vodunce e inquice!

O bloco Cortejo Afro tematiza, no carnaval de 2016, a Oxum,  deusa Iorubá visceralmente associada a elementos da natureza como rios de águas doce, seus afluentes - a deusa do Rio Oxum, rio que atravessa o país da Nigéria - e tudo que nele habita: seixos, flora e fauna; a fecundidade e a prevenção da comunidade, daí que, segundo o mito, a Orixá está associada ao domínio tecnológico da fundição do cobre metal de maior valor na reprodução material daquele tipo de sociedade.

O tema é da vontade da saudosa Mãe Santinha de Oyá, agora um ser de luz, que logo no encerrar do carnaval passado, cujo tema foi Oyá Balé, determinou:

- Paroano é Oxum, a Dona do Colar de Ouro! Alberto Pita, filho da Yá e presidente do Cortejo Afro, apenas recebeu com alegria.

Todo o trabalho de produção da temática se voltou, então, para tudo que se refere à Orixá, respeitando a ética dos "fundamentos". A experiência artística do Pita fluiu para os tons fortes e reluzentes do amarelo. O brilho do cobre, tido como o metal mais precioso entre os povos iorubá dos tempos antigos - representava a luz, a vida e a fecundação - foi redimensionado, com o passar dos tempos, para a categoria metálica do ouro pelo seu brilho e extremo valor. Possivelmente, neste processo, os atributos da deusa dos rios foram simbolizados nas representações do ouro, segundo os valores de cada sociedade.

O Colar de Ouro, portanto, define o lugar de Oxum como senhora da fartura, da beleza feminina e da fecundação. Enquanto orixá feminina se mostra meiga, a admirar sua beleza e encantos tendo o abebé como espelho. Também chamada pelo nome Ialodê ou a mulher mais importante da cidade, ela pode ser vista no fundo claro dos rios brincando com os seixos ou aquelas pedrinhas arredondadas que se formam nas nascentes. Os colares da Oxum são de contas de vidro refletindo o amarelo iridescente; nos braços muitos braceletes de cobre e latão, tudo brilhante. Para agradar a Ialodê, nas comidas se oferece principalmente o prato de nome omolocum, preparado a base de feijão fradinho refogado na cebola, camarão e azeite de dendê, entre outros itens da mesa ritual da divindade.

Os filhos e devotos da deusa a salvam dizendo: Ora Iê Iê ô!!!!! A expressão significa um pedido de proteção a mãe Oxum. No desfile do Cortejo, a Dona do Colar de Ouro será reverenciada sob a inspiração da sua beleza representada nas indumentárias de estampas refletindo o brilho solar; na joalharia expressa nos colares, pentes entre outros axés da Oxum!

Ora Iê Iê ô!!!!

Ericivaldo Veiga, Dr.

Professor da UEFS

Assessor Cultural do Cortejo Afro


(*) Canção de domínio público, cantada pela saudosa Mãe Santinha de Oiá como escolha do tema do Cortejo Afro  2016.

(**) Texto inspirado numa bibliografia especializada em estudos de simbologia de mitos construtores do processo sociocultural e religioso afro-brasileiro.